Os números de 2012

Os duendes de estatísticas do WordPress.com prepararam um relatório para o ano de 2012 deste blog.

Aqui está um resumo:

600 pessoas chegaram ao topo do Monte Everest em 2012. Este blog tem cerca de 2.300 visualizações em 2012. Se cada pessoa que chegou ao topo do Monte Everest visitasse este blog, levaria 4 anos para ter este tanto de visitação.

Clique aqui para ver o relatório completo

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A Relatividade do Errado

 

Por Isaac Asimov

Outro dia eu recebi uma carta. Estava escrita à mão em uma letra ruim, tornando a leitura muito difícil. Não obstante, eu tentei devido à possibilidade de que fosse alguma coisa importante. Na primeira frase, o escritor me disse que estava se formando em literatura Inglesa, mas que sentia que precisava me ensinar ciência. (Eu suspirei levemente, pois conhecia muito poucos bacharéis em literatura inglesa equipados para me ensinar ciência, mas sou perfeitamente ciente do meu estado de vasta ignorância e estou preparado para aprender tanto quanto possa de qualquer um, então continuei lendo.)

Parece que em um de meus inúmeros ensaios, eu expressei certa felicidade em viver em um século em que finalmente entendemos o básico sobre o universo.

Eu não entrei em detalhes, mas o que eu queria dizer era que agora nós sabemos as regras básicas que governam o universo, assim como as inter-relações gravitacionais de seus grandes componentes, como mostrado na teoria da relatividade elaborada entre 1905 e 1916. Também conhecemos as regras básicas que governam as partículas subatômicas e suas inter-relações, pois elas foram descritas muito ordenadamente pela teoria quântica elaborada entre 1900 e 1930. E mais, nós descobrimos que as galáxias e os aglomerados de galáxias são as unidades básicas do universo físico, como descoberto entre 1920 e 1930.

Veja, essas são todas descobertas do século vinte.

O jovem especialista em literatura inglesa, depois de me citar, continuou me dando uma severa bronca a respeito do fato de que em todos os séculos as pessoas pensaram que finalmente haviam compreendido o universo, e em todos os séculos se provou que elas estavam erradas. Segue que a única coisa que nós podemos dizer sobre nosso “conhecimento” moderno é que está errado. O jovem citou então com aprovação o que Sócrates disse ao saber que o oráculo de Delfos o tinha proclamado o homem o mais sábio da Grécia: “se eu sou o homem o mais sábio”, disse Sócrates, “é porque só eu sei que nada sei”. A consequência era que eu era muito tolo porque tinha a impressão de saber bastante.Infelizmente, nada disso era novo para mim. (Há muito pouco que é novo para mim, eu queria que meus correspondentes percebessem isso.) Esta tese particular foi dirigida a mim um quarto de século antes por John Campbell, que se especializou em me irritar. Ele também me disse que todas as teorias são comprovadamente erradas no tempo.

Minha resposta a ele foi esta: “John, quando as pessoas pensavam que a Terra era plana, elas estavam erradas. Quando pensaram que a Terra era esférica, elas estavam erradas. Mas se você acha que pensar que a Terra é esférica é tão errado quanto pensar que a Terra é plana, então sua visão é mais errada do que as duas juntas”.

O problema básico, você vê, é que as pessoas pensam que “certo” e “errado” são absolutos; que tudo que não é perfeitamente e completamente certo é totalmente e igualmente errado.

No entanto, eu não acho que é assim. Parece-me que certo e errado são conceitos nebulosos, e eu vou dedicar este ensaio para uma explicação de por que eu penso assim.

Em primeiro lugar, acabemos com Sócrates, porque estou doente e cansado desta pretensão de que não saber nada é um sinal de sabedoria.

Ninguém sabe nada. Em questão de dias, os bebês aprendem a reconhecer suas mães.

Sócrates concordaria, é claro, e explicaria que o conhecimento de trivialidades não é o que ele quer dizer. Ele quer dizer que nas grandes abstrações sobre as quais debatem seres humanos, deve-se começar sem noções preconcebidas, irrefletidas, e que só ele sabia disso. (O que é uma afirmação extremamente arrogante!)

Em suas discussões sobre questões como “O que é justiça?” ou “O que é virtude?” ele tomou a atitude que ele não sabia de nada e teve de ser instruído por outros. (Isso é chamado de “ironia socrática”, por Sócrates saber muito bem que ele sabia muito mais do que as pobres almas que ele estava pegando.) Ao fingir ignorância, Sócrates atraiu outros a propor as suas opiniões sobre essas abstrações. Sócrates, então, por uma série de “perguntas ignorantes”, forçava-os a uma espécie de auto-contradições até que eles finalmente dessem o braço a torcer e admitissem que não sabiam do que estavam falando.

É a marca da tolerância maravilhosa dos atenienses deixar isso continuar por décadas, até que Sócrates virou os 70 e obrigaram-no a beber veneno.

Agora, de onde tiramos a noção de que “certo” e “errado” são absolutos? Parece-me que este surge nas séries iniciais, quando as crianças que sabem muito pouco são ensinados por professores que sabem um pouco mais.

Os jovens aprendem ortografia e aritmética, por exemplo, e aqui caímos nos absolutos aparentes.

Como se escreve “açúcar?” Resposta: a-ç-ú-c-a-r. Isso é certo. Qualquer outra coisa é errado.

Quanto é 2 + 2? A resposta é 4. Isso é certo. Qualquer outra coisa é errado.

Ter respostas exatas, e ter certos e errados absolutos, minimiza a necessidade de pensar, o que agrada tanto os alunos e professores. Por essa razão, os alunos e professores preferem testes de resposta curta a testes de dissertação , de múltipla escolha a de resposta curta, e testes falso-verdadeiro aos testes de múltipla escolha.

Mas os testes de respota curta, no meu modo de pensar, são inúteis como medida de compreensão do aluno sobre um assunto. Eles são apenas um teste para a eficiência da sua capacidade de memorizar.

Você pode ver o que eu quero dizer logo que admitir que certo e errado são relativos.

Como se escreve “açúcar?” Suponha que Alice soletra – pqzzf e Genoveva soletra – assucar. Ambos estão errados, mas há qualquer dúvida de que Alice é mais errado que Genoveva? Por essa questão, eu acho que é possível argumentar que a ortografia de Genoveva é mais próxima da “certa”.

Ou suponha que você escreva “açúcar”: sacarose, ou C12H22O11. Estritamente falando, você está errado de cada vez, mas você está exibindo um certo conhecimento do assunto além da ortografia convencional.

Suponha então que a questão do teste foi: de quantas maneiras diferentes você pode escrever “açúcar”? Justificar cada.

Naturalmente, o aluno teria que fazer um monte de pensamentos e, no final, exibem o quanto ou quão pouco ele sabe. O professor também tem que fazer um monte de pensamentos na tentativa de avaliar o quanto ou quão pouco o estudante sabe.

Mais uma vez, o quanto é 2 + 2? Suponha que José diz: 2 + 2 = roxo, enquanto Maxwell diz: 2 + 2 = 17. Ambos estão errados, mas não é justo dizer que José é mais errado que Maxwell?

Suponha que você disse: 2 + 2 = um n° inteiro. Você está certo, não é? Ou suponha que você disse: 2 + 2 = um n° inteiro par. Você estaria mais certo. Ou suponha que você disse: 2 + 2 = 3,999. Você não estaria quase certo?

Se o professor quer 4 para uma resposta e não distinguir entre os erros vários, não quer definir um limite desnecessário para a compreensão?

Suponha que a questão é, quanto é 9 + 5?, E você responde 2. Você não vai ser execrado e ridicularizado? E você não disse afinal que 9 + 5 = 14?

Se lhe dissessem que nove horas passaram desde a meia-noite e, portanto, era 09:00, e lhe pedissem 5 horas a mais, e você respondesse 14 horas, alegando que 9 + 5 = 14 , você não seria execrado novamente, quando o certo seria 02:00? Aparentemente, nesse caso, 9 + 5 = 2 depois de tudo.

Ou ainda supor, Richard diz: 2 + 2 = 11, e antes de o professor mandá-lo para casa com um bilhete para sua mãe, ele acrescenta, “Para a base 3, claro”. Ele estaria certo.

Aqui está outro exemplo. A professora pergunta: “Quem é o quadragésimo Presidente dos Estados Unidos?” e Barbara diz: “Não há qualquer, professor.”

“Errado!” , diz o professor, “Ronald Reagan é o quadragésimo presidente dos Estados Unidos.”

“Nem um pouco”, diz Barbara, “Eu tenho aqui uma lista de todos os homens que serviram como Presidente dos Estados Unidos segundo a Constituição, de George Washington a Ronald Reagan, e há apenas 39 deles, de modo que não há quadragésimo Presidente “.

“Ah”, diz o professor, “mas Grover Cleveland serviu dois mandatos não consecutivos, um 1885-1889, e de 1893-1897. Ele conta tanto como vigésimo segundo e vigésimo quarto presidente. É por isso que Ronald Reagan é o trigésimo nono a servir como presidente dos Estados Unidos, e é, ao mesmo tempo, o quadragésimo Presidente nos Estados Unidos. “

Isso não é ridículo? Por que uma pessoa ser contado duas vezes se os seus termos são não consecutivos, e só uma vez se cumpriu dois mandatos consecutivos? Pura convenção! Barbara ainda é marcado errado, tão errado como se ela tivesse dito que o quadragésimo Presidente dos Estados Unidos é Fidel Castro.

Portanto, quando meu amigo o especialista em Literatura Inglesa me disse que em todos os séculos os cientistas pensaram ter entendido o universo e estavam sempre errados, o que eu quero saber é quão errados estavam eles? Todos estão errados no mesmo grau?

Em suma, meu amigo literado em inglês viver em um mundo mental de certos e errados absolutos pode significar imaginar que uma vez que todas as teorias são erradas, podemos pensar que a Terra seja esférica hoje, cúbica no século seguinte, um icosaedro oco no seguinte e com formato de rosquinha no seguinte.

O que realmente acontece é que os cientistas, uma vez que se apossam de um bom conceito, gradualmente o refinam e o expandem com uma sutileza maior e maior, à medida em que os seus instrumentos de medição melhoram. Teorias não são tão erradas quanto incompletas.

Isto pode ser apontado em muitos outros casos, do que apenas a forma da Terra. Mesmo quando uma nova teoria parece representar uma revolução, ela geralmente surge de pequenos refinamentos.

Naturalmente, as teorias que temos hoje podem ser consideradas erradas no sentido simplista do meu correspondente literato, mas em um sentido muito mais verdadeiro e mais sutil, elas precisam somente ser consideradas incompletas.

Por exemplo, a teoria quântica produziu algo chamado de “esquisitices quânticas”, que coloca em questão a própria natureza da realidade e que produz enigmas filosóficos em que os físicos simplesmente não conseguem acordar. Pode ser que tenhamos chegado a um ponto em que o cérebro humano já não pode compreender a matéria, ou pode ser que a teoria quântica é incompleta e que, uma vez que extendida, todos as “estranhezas” desaparecerão.

Se tudo isso for feito, no entanto, será um refinamento que afetará as bordas do conhecimento – a natureza do Big Bang e a criação do Universo, as propriedades no centro de buracos negros, alguns pontos sutis sobre a evolução de galáxias e supernovas, e assim por diante.

Praticamente tudo o que sabemos hoje, no entanto, permaneceria intocado e quando eu digo que sou feliz por viver em um século em que o Universo é essencialmente entendido, eu acho que estou justificado.

Para mais: http://hermiene.net/essays-trans/relativity_of_wrong.html

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Um Brasil teocrático?

Temos o blog um pouco parado pois todos estamos com muito trabalho e pouca imaginação… porem não queria deixar de postar este video do Pirulla falando sobre uma PEC que representa um perigo potencial para um país laico.

Esperemos poder continuar a apresentar postagens um pouco mais regularmente, mas enquanto isso não acontece tentaremos aumentar um pouco a atividade na pagina do Facebook com noticias interessantes e propostas de debates, sintam-se convidados.
Lembramos tambem que se tiverem interesse em publicar um artigo (sobre qualquer tema) podem mandar o texto junto aos seus dados ou pseudônimo para blogdagaleradanet@gmail.com

Abraços!

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Deus, um delírio. O documentário.

Este documentário que saiu a luz em janeiro de 2006 com o nome “A raiz de todo mal?”, foi o “avanço” do libro “Deus, um delírio”,  onde Richard Dawkins amplia estes e outros aspectos.  Produzido pelo Canal 4 da tv britânica, foi divido em duas partes:

  • Uma ilusão chamada deus. Nesta parte Dawkins procura mostrar a falta de logica por trás das crenças religiosas. Ele tenta esclarecer que “o processo de não-pensar chamado fé” não é uma boa ferramenta para entender a realidade é sim algo completamente contrario aos alicerces da ciência.
  • O vírus da fé. Examina-se aqui a “moral” das religiões, principalmente a doutrinação de crianças e o ensino de coisas que, ao meu ver, são um atraso e completamente prejudiciais na atualidade do mundo em que vivemos.

Espero que saibam aproveitar estes dois vídeos.

Abraços e até a próxima.

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Os quatro cavaleiros do ateísmo

Seguindo a linha de tentar fazer sua tarde de domingo mais interessante, apresento-lhes  uma messa onde quatro grandes pensadores discorrem sobre o debate ateísmo – religião.

Christopher Hitchens, Richard Dawkins, Daniel Dennett e Sam Harris reunidos num papo tranquilo e interessante.

Aproveitem!!!

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Religulous – Documentário

Estava revendo este documentário de Bill Maher e achei interessante para postar no blog.

Acredito que ele conseguiu obter uma visão particular e diferente de muitos outros documentários que já vi, tentando por meio de perguntas simples, que qualquer um de nós tem a capacidade de formular, questionar as convicções carentes de logica das religiões.

Eu fico realmente impressionado que no mundo atual ainda existam pessoas que acreditem em cobras falantes, homens indo pro céu a cavalo, humanos e dinossauros vivendo num mesmo período… Posso até entender que acreditem nisso em lugares onde sequer existe uma educação formal instaurada ou onde a tecnologia é de difícil acesso e a informação é restringida a uns poucos privilegiados. Mas no mundo ocidental onde a internet faz parte da nossa vida, como acreditar nessas coisas? Espero que algum psiquiatra ou psicologo possa um dia me responder o por que da necessidade humana de se revelar contra sua própria capacidade de raciocínio…

Por outro lado sendo Bill Maher um comediante, aporta ao documentário uma quota de muito bom humor o que faz deste um bom video pra domingo a tarde. E por favor nao tenham medo de ver, questionar nao faz mal a saúde 😉

 

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Do que são feitas as coisas (exceto os fantasmas)

 Para quase tudo que existe no planeta – e um pouco além dele – há pelo menos um mito relacionado. Assim acontece com a origem da vida e do homem, do universo, dos terremotos, dos vulcões, das doenças, etc. Porém, nada há sobre o mundo do muito pequeno, o que explica os mitos relacionados a doenças, por exemplo. A razão para isso é simples: os povos primitivos não tinham como saber da existência desse micromundo até ser inventado, somente no séc. XVI, o primeiro microscópio. A partir dele, muita coisa foi explicada; conhecemos bactérias, fungos, ácaros e uma infinidade de seres que acometem nossa saúde, derrubando mitos de possessões demoníacas ou castigos divinos. Se nada sobre esses seres é mencionado em escritos ou relatos ditos sagrados, o que dizer então de unidades ainda menores, muito menores que qualquer vírus ou bactéria? De fato, esses mitos deixam muito a desejar sobre muitas coisas que existem, mas tratarei aqui sobre o que compõe a matéria, ou seja, tudo que possui massa e ocupa lugar no espaço, coisa que nenhum deus se dignou a revelar.

Imagine qualquer objeto ou substância, líquida, sólida ou gasosa. Todos são formados por unidades que chamamos átomos.
A ideia é antiga, defendida por Demócrito desde 400 a.C. Alguns pontos, considerando o que sabemos hoje, são engraçados:
Água: formada por átomos ligeiramente esféricos (a água escoa facilmente).
Terra: formada por átomos cúbicos (a terra é estável e sólida).
Ar: formado por átomos em movimento turbilhonantes (o ar se movimenta – ventos).
Fogo: formado por átomos pontiagudos (o fogo fere).
Alma: formada pelos átomos mais lisos, mais delicados e mais ativos que existem.
Respiração: troca de átomos, em que átomos novos substituem átomos usados.
Sono: desprendimento de pequeno número de átomos do corpo.
Coma: desprendimento de médio número de átomos do corpo.
Morte: desprendimento de todos os átomos do corpo e da alma.
De qualquer forma, durante muito tempo acreditou-se que os átomos eram as menores partículas que podiam existir; até que Joseph John Thomson descobriu, em 1897, os elétrons, propondo, então, que os átomos eram divisíveis em partículas ainda menores. Hoje conhecemos muitas partículas e ainda procuramos uma em particular, o afamado Bóson de Higgs. Mas para efeitos práticos, basta o conhecimento de três. Abaixo, o modelo atômico de Niels Bohr, que completou o trabalho de Ernest Rutherford:
Segundo esse modelo, o átomo consiste em um núcleo extremamente pequeno e denso, formado por duas partículas: prótons e nêutrons. O n° de prótons que um átomo possui é o n° de sua identidade; chamamos n° atômico. Assim, todos os átomos que existem com 8 prótons são chamados de átomos de oxigênio; os com 6 prótons, de átomos de carbono, e assim por diante. Porque o n° de nêutrons pode variar de um átomo para outro, chamamos isótopos os átomos que possuem igual n° de prótons, mas diferente n° de nêutrons. Um elemento químico é um conjunto de isótopos.
Já os elétrons existem, num átomo nêutro, em mesma quantidade que prótons. Logo, um átomo de oxigênio possui 8 elétrons, o de carbono possui 6. Mas um átomo pode perder, ganhar ou compartilhar elétrons e isso é de extrema relevância, como veremos já. Antes disso, vejamos de onde surgem os átomos, antes que alguém diga que eles tiveram que ser inventados por alguma divindade.
Fusão nuclear
A Tabela Periódica agrupa todos os tipos de átomos que existem em ordem crescente de n° atômico, ou n° de prótons. Assim, o primeiro elemento – hidrogênio – possui um próton, o segundo – hélio – possui dois prótons, o terceiro – lítio – possui três prótons, e assim por diante. Esses elementos surgiram cerca de 400 mil anos após o Big-Bang; antes disso, átomos não existiam, apenas partículas (elétrons, prótons e núcleos leves). Os demais elementos surgem basicamente da fusão nuclear, que, como o nome sugere, une núcleos atômicos. Isso só acontece no interior das estrelas, pois é necessária uma temperatura excessivamente alta, e libera bastante energia; daí vem a luz e o calor de estrelas como o sol. Assim, a grosso modo, podemos dizer que Hidrogênio (1 próton) + Hidrogênio (1 próton) = Hélio (2 prótons).
Mas se os núcleos só se fundem em estrelas, como um átomo de oxigênio se une a dois de hidrogênio para formar água (H2O)? Aí entram os elétrons.
As ligações
Os elétrons se distribuem ao redor do núcleo de um átomo, num espaço denominado eletrosfera. Fazendo uma analogia, se o núcleo fosse do tamanho de uma formiga, sua eletrosfera poderia atingir o tamanho do Maracanã. Essa área é dividida em camadas energéticas, conforme o modelo abaixo:
O n° de elétrons na camada mais externa da eletrosfera de um átomo diz muito sobre ele. Por exemplo, os gases chamados nobres , com exceção do hélio, (neônio, argônio…) possuem 8 elétrons nessa camada. E eles são chamados nobres porque não se misturam com a ralé, ou seja, são encontrados sozinhos na natureza. Os demais átomos sonham ser um gás nobre, querem muito ter 8 elétrons em sua última camada, ou, em termos mais científicos, adquirir estabilidade. Para isso podem ceder ou receber elétrons, mais ou menos assim:
Note que tanto o sódio quanto o cloro atingiram seu objetivo, ficaram com 8 elétrons na última camada. Note também que é muito mais fácil para o cloro pegar 1 elétron do que perder 7, enquanto para o sódio é mais fácil perder 1 que ganhar 7. Quando um átomo perde elétrons, ele se torna eletricamente positivo; quando ganha elétrons, se torna negativo. Daí temos que os opostos se atraem e formam uma forte ligação, chamada iônica.
E no caso da água? Já sabemos que o hidrogênio possui apenas 1 elétron (pois possui apenas 1 próton). Já o oxigênio possui 8 elétrons, sendo 6 na sua camada mais externa. Porém, o hidrogênio não doa seu elétron para o oxigênio, como no caso do NaCl, mas compartilha. A este tipo de ligação chamamos covalente. Como o oxigênio precisa de 2 elétrons para completar seu octeto, une-se a dois átomos de hidrogênio, assim:
O hidrogênio ‘quer’ se tornar um hélio, daí sua necessidade ser de apenas 1 elétron, ficando estável com 2.
À união de dois ou mais átomos, iguais ou diferentes, chamamos molécula ou aglomerado iônico. Uma molécula é a menor parte de uma substância. E é preciso muitas moléculas para que possamos ver, a olho nu, a substância em questão. Assim, precisamos de cerca de 6,02 x 1023 (10 seguido de 23 zeros; na casa dos sextilhões) moléculas de H2O (um gole de água de aproximadamente 18g), ou 1,2 x 1024 átomos de hidrogênio + 6,02 x 1023 átomos de oxigênio.
Agora imagine o n° de combinações possíveis com cerca de uma centena de tipos atômicos diferentes; algo como combinar 100 letras para formar palavras diferentes, sendo que é possível repetir letras inúmeras vezes. E quantas orações, com inúmeras repetições dessas palavras?
Da mesma forma, quantas substâncias, coisas, objetos, corpos.. poderiam ser formados?
Só de moléculas carbônicas, conhecemos cerca de 16 milhões.
Claro que muito neurônio e esforço foi usado no decorrer de todas essas descobertas incríveis. Isso talvez explique o porque de muitas pessoas se contentarem com a resposta mais simples: “e fez-se a água” -ou algo que o valha-.
E, mal sabem, acabam perdendo o verdadeiro espetáculo.
😀
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Falácias…

Estava começando a pensar em escrever uma entrada sobre falácias e na pesquisa me deparei com vários links muito bons.

E invocando minha máxima de não fazer de novo algo que já esta bem feito vou deixar os links abaixo.

Wikipedia, confira também o anexo.

Clube Cético

Diccionario de falacias (em espanhol)

Realmente as listas são grandes e acredito que todos nós já usamos e/ou fomos vítimas de varias delas, por exemplo:

Afirmação do Conseqüente

Essa falácia é um argumento na forma “A implica B, B é verdade, logo A é verdade”.

Aqui está um exemplo:

“Se o universo tivesse sido criado por um ser sobrenatural, haveria ordem e organização em todo lugar. E nós vemos ordem, e não esporadicidade; então é óbvio que o universo teve um criador.”

Esse argumento é o contrario da Negação do Antecedente.

Apelo à autoridade anônima

Fazer afirmações recorrendo a autoridades sem citar a fonte.

Ex.: Os peritos dizem que a melhor maneira de prevenir uma guerra nuclear é estar preparado para ela.

Que peritos?

Apelo ao ridículo:

Ridicularizar um argumento como forma de derrubá-lo.

Ex.: Se a teoria da evolução fosse verdadeira, significaria que o seu tataravô seria um gorila

Argumentum ad Verecundiam

O Apelo à Autoridade usa a admiração a uma pessoa famosa para tentar sustentar uma afirmação. Por exemplo:

“Isaac Newton foi um gênio e acreditava em Deus.”

Esse tipo de argumento não é sempre inválido; por exemplo, pode ser relevante fazer referência a um indivíduo famoso de um campo específico. Por exemplo, podemos distinguir facilmente entre:

“Hawking concluiu que os buracos negros geram radiação.”

“Penrose conclui que é impossível construir um computador inteligente.”

Hawking é um físico, então é razoável admitir que suas opiniões sobre os buracos negros são fundamentadas. Penrose é um matemático, então sua qualificação para falar sobre o assunto é bastante questionável.

Redução ao nazismo:

Invalidar um argumento pela comparação com Hitler ou o nazismo.

Ex.: Hitler acreditava em Deus, então os crentes não devem ser boas pessoas.

Acredito que estes são bem familiares, mas tem muitos mais, a logica é fascinante!!!

Conheço algumas pessoas que acharão esta entrada de muito proveito.

Inté!

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Julguemos a informação!

Antes de começar a ler, você deve saber que este texto não é original, ele é um resumo tradução do artigo “La jerarquía de la evidencia” do blog “Pensamiento crítico y detección de falacias“. Nele o leitor mais curioso encontrará links a fontes mais completas e interessantes.

Feita esta aclaração passemos ao resumo.

Quase toda a informação que recebemos advém das conclusões tiradas ao cruzar diferentes variáveis que apresentam algum tipo de relação. Frente as informações, de cada um de nós depende determinar a sua fiabilidade avaliando o grau de certeza que elas oferecem. O primeiro passo para essa avaliação seria a categorização da informação obtida em alguma das principais formas compreendidas na pirâmide da evidência.

Pirâmide para avaliação de evidências

A fortaleza de cada evidência aumenta desde a base até o topo e note que a base é mais ampla pois é neste nível que podemos encontrar maior quantidade de casos. Esta observação resulta importante porque é este nível da base onde a evidência é menos forte do ponto de vista da credibilidade (e onde o acaso brinca com nossa noção da realidade).

O conceito de níveis de evidência foi desenvolvido por Gorndon Guyatt e David Sackett para ser aplicado na medicina em 1991.

Vejamos brevemente cada um deles:

Testemunho:

Como falamos antes o testemunho é a mais débil de todas as evidências porém a mais frequente. Não quer dizer que o testemunho seja inválido, mas geralmente se outorga a ele um peso maior do que ele realmente tem ao momento de avaliar algo como verdade. Entre os motivos para colocar testemunhos no nível mais baixo temos principalmente que podemos encontrar testemunhos de quase tudo o que quisermos já que a mente humana é susceptível a múltiplos erros de raciocínio, esquecemos do fator do acaso (lembrem-se que estamos julgando um testemunho, deem uma lida de novo aqui e aqui), erro de percepção e por último pelo simples fato que a pessoa pode tranquilamente estar mentindo. Frente a um testemunho o correto não deveria ser negá-lo, mas sim considerá-lo como insuficiente na aceitação da relação entre duas variáveis.

Alguns exemplos:

  • Participei de um sorteio de uma bike, passei dias e dias falando pra mim mesmo que ela era minha, e não é que eu ganhei o sorteio? Incrível!!! O pensamento positivo funciona!!!
  • Eu tinha câncer em fase avançada e os médicos já não tinham mais esperanças. Me encomendei a Jesus e rezei e rezei e por milagre meu câncer sumiu!!!
  • Eu tinha uma dor incrível na coluna e os médicos não conseguiam curar, testei um remédio homeopático e as dores sumiram!!!
  • Conheci uma família onde o pai e um filho morreram de câncer no cérebro e a mãe acaba de receber tratamento para a mesma coisa. Eles moram quase debaixo de uma antena enorme para telefonia.
  • Tive um primo que fumou desde os 16 anos e semana passada morreu de câncer de pulmão. Meu avô por outro lado fumou a vida inteira e morreu de infarte aos 80 anos.

Todos estes são exemplos de testemunhos, e certamente todos nós já devemos ter escutado algum deles ou outros semelhantes. O penúltimo em particular pode ser muito persuasivo a achar uma relação entre a antena e o tumor cerebral, porém, como todos os outros, realmente ainda não é prova de que um fato foi consequência do outro.

Dados:

Dar nome aos bois, ou melhor, neste caso, aos números, nos permite subir um nível de certeza. Os números aumentam muito as chances de uma informação ser aceita como verdadeira. Como deveriam se apresentar? Por exemplo de cada 1000 casos, 200 apresentaram a situação x. Sempre que ouvirmos um testemunho indaguemos sobre os dados:

  • Procuremos a quantidade de pessoas que ganhou um concurso graças ao pensamento positivo. Dado desconhecido.
  • Quantas pessoas tiveram curas milagrosas? Excetuando por alguma igreja que leva dados de este tipo, geralmente é uma quantidade desconhecida.
  • Dados de homeopatia são muito difíceis de achar, o autor do artigo original não achou e eu também não. Se alguém achar por favor comente. Dados desconhecidos.
  • Relação entre antenas e tumor cerebral, praticamente todos testemunhos, não ha dados ou são desconhecidos.
  • Fumadores: 95% das mortes por câncer de pulmão se produzem em pacientes fumadores ou ex fumadores. O consumo de de fumo se relacionado com mortes de fumadores foi próximo aos 10% no mundo. Dados conhecidos.

Cruzamento de dados:

Um nível maior de certeza obtemos ao momento de cruzar dados, já que podemos confirmar ou refutar uma relação (note que relação não significa causa-efeito).

Tomemos como exemplo fumar e câncer de pulmão. Sabendo que 95% das pessoas que morrem de câncer de pulmão foram ou são fumadores posso tirar alguma conclusão? Talvez; porém, ao cruzar dados posso obter informação de maior utilidade.

Por exemplo podemos saber que fumadores tem 60 vezes mais chances de morrer de câncer de pulmão do que não fumadores (detalhes no artigo original). Esta resulta ser uma informação de maior utilidade, já que conhecendo a quantidade de pessoas fumadoras e não fumadoras que morrem de câncer de pulmão posso obter a diferença entre elas.

Como conclusão da relação entre fumar e câncer de pulmão, você pode me dar o testemunho de uma pessoa que morre de câncer de pulmão, mas será melhor contar com a quantidade de pessoas que fumam e morrem de câncer de pulmão, mas ainda pode ser muito melhor se você me der os detalhes das pessoas fumantes e não fumantes que morrem por câncer de pulmão e por outras causas, e cruzar os dados para obter um resumo de informação pertinente.

Se me falarem de casos de tumor cerebral de pessoas que vivem perto de antenas posso considerar a informação como insuficiente; porém, se me derem estudos com dados fiáveis sobre o risco de apresentar tumor cerebral se a gente viver perto de antenas já é uma informação muito importante.

Se, por exemplo, me passarem o dado que 66 pessoas curaram seu câncer depois de ir a uma determinada igreja, posso achar interessante. Porém, se pensarmos que a essa igreja foram 300 milhões de pessoas e que provavelmente umas 20 milhões delas tinham doenças graves, a probabilidade de cura milagrosa seria de 1 em 300000, e levando em conta que a cura espontânea de câncer é de 1 em 10000, então caso você desenvolva câncer, terá 30 vezes mais chances de uma cura espontânea ficando em casa que indo a tal igreja…

Ressumindo estas três primeiras formas de evidência:

Testemunho: pode ser mentira, pode ser erro de percepção, pode ser erro de memória.

Dados: podem ser dados não fiáveis (importante avaliar a fonte), podem ser dados falsos ou manipulados.

Cruzamento de dados: podem ser obtidos de dados falsos, podem ser tomados de mostras não representativas da população, ou não suficientes.

Portanto não só devemos classificar a evidência, senão que também devemos avaliar a origem dessa informação, se ela for errônea, as conclusões também serão errôneas.

Passemos ao topo da pirâmide.

Falseabilidade:

Esta é a melhor ferramenta que temos para atribuir confiabilidade a uma informação.

Mas, o que é falseabilidade?

É um teste que serve para demonstrar que uma hipótese, informação ou ideia seja falsa; contrário a nossa tendência inata de tirar conclusões frente a informação que nos confirma uma ideia, quando o certo deveria ser tentar negá-la ou falseá-la.

Vejamos um exemplo extremo:

Temos dois relógios que tocam cada hora, mas um tem um atraso de 10 segundos respeito ao outro. Poderia afirmar que quando um relógio toca provoca uma reação no segundo que faz com que este toque. Ou seja um exemplo de causa-efeito.

Podemos encontrar muitas formas de confirmar esta hipótese:

Muitas pessoas afirmam que quando um toca, pouco depois o segundo toca também (Testemunho).

Tenho dados que confirmam que em um mês, de 720 vezes que tocou o primeiro, 10 segundos depois tocou o segundo. (Dados).

Depois de algumas análises determino que existe uma relação direta, quando um toca, 10 segundos depois toca o outro. E quando o segundo toca, sempre previamente tinha tocado o primeiro. E isso em 100% dos casos. (Cruzamento de dados).

Ao que tudo indica o toque de um faz com que o segundo toque, porém para conhecer a verdade devemos tentar negar a conclusão, e devemos fazer um teste que controle todas as variáveis procurando que a hipótese falhe e se ela superar o teste, poderemos ter muita certeza que o fato é verdadeiro.

Um jeito fácil de falsear esta hipótese: colocar o primeiro relógio a tocar em momentos aleatórios esperando o toque do segundo, se isso não acontecer então a hipótese cai por água baixo…

Concluindo:

Muitas provas que tentam confirmar uma hipótese não me dão garantia de que a hipótese seja certa.

Uma só prova que procure negar a hipótese pode dar a garantia que a hipótese seja falsa.

Outro conceito que podemos usar é a plausabilidade, que nada mais é que o suporte teórico que relaciona as duas variáveis (lembram-se de evolução e teoria da evolução?). Se por exemplo tomarmos os dois relógios e vermos que as evidências em todos os níveis indicam a causa efeito, ainda assim não existiria nenhum tipo de plausibilidade, isto é, não existe nenhuma explicação lógica  para que um relógio toque em consequência do toque de outro. Outro exemplo pode ser os tumores cerebrais e as antenas de telefonia; estas geram radiações não ionizantes (não mutagênicas) e portanto não existiria uma explicação lógica do porque as ondas das antenas causariam tumor cerebral.

Para concluir, podemos dizer que a falseabilidade é suficiente?

Obviamente não, o teste pode estar mal desenhado, os dados podem ser parciais, as conclusões devem ser limitadas nos dados e não pretender obter conclusões gerais para uma limitada base de dados.

Então sempre devemos classificar as evidencias e ainda assim devemos avaliar a qualidade de cada uma para obter uma ideia da certeza que esta informação possa ter.

Agora você já tem uma ideia suficiente para que na próxima vez que receber um testemunho de alguma situação pense muito antes de tomá-lo como verdadeiro…

😉

Até a próxima entrada pessoal!!!

Obs. Por maiores exemplos e fontes consulte o artigo original.

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